O adeus á Suzana Amaral, diretora de “A hora da estrela”

Suzana Amaral faleceu hoje, dia 25 de junho de 2020, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O hospital não informou a causa da morte, mas sabe-se que ano passado ela tinha sofrido um AVC que a tinha deixado com a saúde debilitada.

A diretora foi premiada por “A hora da estrela”, filme baseado no livro homônimo de Clarice Lispector. Seu último filme, “Hotel Atlântico”, foi lançado em 2009.

Conheça sua trajetória:

Em 1968, ingressa no curso de cinema da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), concluído em 1971. Neste período realiza os curtas-metragens Eu sou Vocês, Nós Somos Eles, Semana de 22, ambos de 1970, e Sua Majestade, Piolin (1971).

Em 1972 ministra aulas de roteiro e fotografia na ECA/USP. Produz e dirige programas para a TV Cultura de São Paulo, até 1987, entre eles o curta-metragem Erico Veríssimo (1975) – por ocasião da morte do escritor.

Inicia, em 1976, o mestrado em direção de cinema na Tisch School of the Arts da New York University (NYU). Conclui, em 1978, o curso de atuação e direção de filmes no Actor’s Studio, também em Nova York. Finaliza seu mestrado em 1979 com o documentário Minha Vida, Minha Luta, que conquista o prêmio de melhor média-metragem no Festival de Brasília. Retorna às atividades na televisão com a direção da série Pensamento e Linguagem, em parceria com a Fundação holandesa Bernard Van Leer, e A Casa de Bernarda Alba, adaptação da obra do escritor espanhol Federico García Lorca (1898-1936).

Prepara o roteiro do seu primeiro longa-metragem, em 1984, que dirige e finaliza no ano seguinte: A Hora da Estrela, baseado no romance de Clarice Lispector (1920-1977). O filme estreia com boa acolhida da crítica, recebendo muitos prêmios, tanto nacionais quanto internacionais: doze prêmios no Festival de Brasília; o Urso de Prata de melhor atriz para Marcélia Cartaxo no Festival de Berlim; prêmio no Festival de Havana; participações e prêmios em festivais europeus, asiáticos e latino-americanos, além da condecoração com a Ordem do Rio Branco, em 1990, pela contribuição do filme à divulgação do Brasil no exterior.

Preside comissões julgadoras de festivais internacionais, entre eles o de Havana (1987) e de Berlim (1990). Participa de conferências nos Estados Unidos, Espanha e Alemanha e dirige, em 1992, a minissérie Procura-se, para a Rádio e Televisão Portuguesa (RTP). Entre 1993 e 1995 dirige filmes institucionais e comerciais para empresas produtoras, como a campanha Gente Que Faz, do banco Bamerindus.

Trabalha como crítica de cinema para o jornal Folha de S.Paulo, além de compor o júri em várias edições da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Retorna à produção cinematográfica, em 1996, quando corroteiriza O Caso Morel, projeto não realizado, adaptação do romance homônimo de Rubem Fonseca (1925), e prepara o roteiro de seu segundo longa-metragem, que dirige em 2001: Uma Vida em Segredo, da obra do escritor Autran Dourado (1926). No mesmo ano, roteiriza e dirige o documentário Demarcando o Cacique Fontoura, sobre a questão das terras dos índios Carajás.

Volta a dar aulas de cinema na ECA/USP entre 1999 e 2001 e, no ano seguinte, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Em 2009 finaliza Hotel Atlântico, seu terceiro longa-metragem, baseado no livro homônimo de João Gilberto Noll (1946). No mesmo ano é homenageada no Festival de Toronto em seção dedicada aos mestres do cinema.

O cinema nacional hoje tem, sem dúvida, um dia muito triste.

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