O futuro dos festivais de cinema

Não é segredo para ninguém que os festivais de cinema em todo o mundo enfrentam um desafio sem tamanho nesse momento, devido a crise do coronavírus. Isso acontece nos grandes festivais, assim como nos pequenos: Todo mundo está precisando se adaptar, e cada vez fica mais claro de que não é apenas uma questão de agenda, não basta adiar por 3 ou 4 meses o evento, mas sim, se adaptar a uma nova realidade de mundo.

Mas… E como será essa nova realidade? A verdade é que ninguém tem essa resposta ainda muito clara, mas o fato é que é preciso imediatamente se começar uma discussão a respeito.

Em um momento em que até a cerimônia do Oscar foi adiada, e consequentemente, em efeito cascata, todo o calendário da indústria audiovisual internacional, até mesmo festivais com datas ainda confirmadas para esse ano já começam a sentir o sentido da pandemia, no que diz respeito a falta de oferta de filmes, pois esses também tiveram que adiar seus lançamentos. É preciso entender que os festivais são o principal termômetro do mercado, no que diz respeito a estratégias de distribuição e vendas, e essa estagnação será ainda sentida por muito tempo.

No que diz respeito aos festivais mundo afora, muito desses eventos tem optado por criarem versões online dos mesmos, mas é preciso discutir se vale a pena para o filme ser exibido nesses “eventos virtuais”. Brian Newman, produtor de “Outside Story”, falou recentemente sobre isso, e defendeu que cada caso era diferente – Que se o filme já tinha sua distribuição garantida, ou que fosse um curta-metragem em busca de mais espectadores, que sim, esse formato poderia ser vantajoso, mas que caso contrário, que se o filme estava ainda em busca de distribução e venda, que isso poderia ser extremamente danoso para o mesmo. Mas mais curioso o que ele falou foi que os festivais não estavam pensando muito sobre isso, ou dialogando com os produtores para discutir vantagens e desvantagens dessa nova estratégia, e sim, apenas tentando sobreviver eles mesmos, os festivais, sem pensar na cadeia produtiva como um todo.

Trazendo isso para uma realidade brasileira, principalmente a dos pequenos festivais de cinema por todo o país, a possibilidade de divulgação dos filmes nessas novas plataformas, mesmo que apenas durante o período dos festivais, é uma proposta que deve ser levada muito seriamente em consideração, mas é preciso, claro, cautela, e acima de tudo reflexão sobre estratégias a serem adotadas.

Alguns dos festivais pioneiros tiveram experiências muito positivas nesse sentido, como foi o caso recentemente do BIFF – Brasilia International Film Festival, que recebeu cerca de 50 mil visitantes durante o evento, realizado pela primeira vez nesse formato, contra 8 mil visitantes presenciais atingidos em sua edição anterior, em 2018.

Fato é que o conteúdo online, uma realidade que já mudava o mercado com força antes da pandemia, agora precisa ser discutido mais do que nunca.

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